domingo, 1 de junho de 2008
The last shadow puppet.
"We're just following the flock around and the in-between, before we smash to smithereens." A.T.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Fogos de artifício
“Você precisa aprender seu instrumento. Daí, você pratica, pratica e pratica. E então, quando você finalmente subir no palco, esqueça tudo isso e apenas toque.”
Charlie “Bird” Parker
Seres humanos são como fogos de artifício. Alguns explodem por fúria, outros por dor, outros por puro desejo. Mas no final, todos explodem imploram e clamam por vida. E são exatamente nesses momentos de pura e majestosa explosão que o gozo real da vida se manifesta. A mais pura amargura vai lhe trazer o maior sentimento de vida que você já sentiu.
O sonhador que sonha com estradas reluzentes a furiosas pula de alegria quando sabe que provavelmente nunca será como seus heróis. Na essência de sua alma ele sabe disso, mas se esconde dos tiros discretos da realidade e se afoga em seu desejo supremo. E tudo fica inerte como os trens obsoletos na terra sagrada das ferrovias.
Mas o coração bate e bate, e baterá até se cansar completamente, e quando isso acontecer você finalmente encontrará a razão eterna de sua existência. E viverá como um santo, nos ecos escuros e gloriosos de sua própria mente e alma. Tudo está vivo e pronto para estar morto e atingir a iluminação mais alta. Porém, nós, seres humanos, fogos de artifício do alegórico intelecto, preferimos nos acorrentar ao próprio. Uma grande âncora gigantesca que te afunda até os confins de sua infinita consciência. Mas a âncora também é o foguete, que quando explode em suas mãos, te leva a tão sonhada glória, que você nem mesmo conhece mas anseia por conhecer. Logo, ame seus problemas. Ame os ratos e baratas que convivem junto de ti debaixo de seus pés pois eles lhe causam problemas. Elogie o deserto seco da vida e deseje ele como seu eterno guia e trilhe seus infinitos caminhos para sempre.
Um bluesman perde a visão, porém ganha a mais gloriosa dádiva musical. Afinal, do que serve a visão se tudo isso que vê mora em você próprio? Você é o poema. E absolutamente nada ao mesmo tempo.
Por isso, exploda e aceite isso com todo seu amor quando chegar a hora. E quando chegar a hora, estique suas cordas mais queridas e belas até o máximo até que elas arrebentem em um grandioso e eterno grito da mais pura satisfação. E então, depois do grito de alívio, olhe suas cordas retalhadas com honra e amor e amarre-as uma por uma, num nó que será mais forte do que tudo em que viu na vida. Você é o nó a corda e as mãos que as arrebentaram. Tudo isso ao mesmo tempo. Por isso, com o mesmo desejo, lhes peço: Vivam intensamente até tal hora chegar, e quando ela chegar, explodam como fogos de artifício.
Charlie “Bird” Parker
Seres humanos são como fogos de artifício. Alguns explodem por fúria, outros por dor, outros por puro desejo. Mas no final, todos explodem imploram e clamam por vida. E são exatamente nesses momentos de pura e majestosa explosão que o gozo real da vida se manifesta. A mais pura amargura vai lhe trazer o maior sentimento de vida que você já sentiu.
O sonhador que sonha com estradas reluzentes a furiosas pula de alegria quando sabe que provavelmente nunca será como seus heróis. Na essência de sua alma ele sabe disso, mas se esconde dos tiros discretos da realidade e se afoga em seu desejo supremo. E tudo fica inerte como os trens obsoletos na terra sagrada das ferrovias.
Mas o coração bate e bate, e baterá até se cansar completamente, e quando isso acontecer você finalmente encontrará a razão eterna de sua existência. E viverá como um santo, nos ecos escuros e gloriosos de sua própria mente e alma. Tudo está vivo e pronto para estar morto e atingir a iluminação mais alta. Porém, nós, seres humanos, fogos de artifício do alegórico intelecto, preferimos nos acorrentar ao próprio. Uma grande âncora gigantesca que te afunda até os confins de sua infinita consciência. Mas a âncora também é o foguete, que quando explode em suas mãos, te leva a tão sonhada glória, que você nem mesmo conhece mas anseia por conhecer. Logo, ame seus problemas. Ame os ratos e baratas que convivem junto de ti debaixo de seus pés pois eles lhe causam problemas. Elogie o deserto seco da vida e deseje ele como seu eterno guia e trilhe seus infinitos caminhos para sempre.
Um bluesman perde a visão, porém ganha a mais gloriosa dádiva musical. Afinal, do que serve a visão se tudo isso que vê mora em você próprio? Você é o poema. E absolutamente nada ao mesmo tempo.
Por isso, exploda e aceite isso com todo seu amor quando chegar a hora. E quando chegar a hora, estique suas cordas mais queridas e belas até o máximo até que elas arrebentem em um grandioso e eterno grito da mais pura satisfação. E então, depois do grito de alívio, olhe suas cordas retalhadas com honra e amor e amarre-as uma por uma, num nó que será mais forte do que tudo em que viu na vida. Você é o nó a corda e as mãos que as arrebentaram. Tudo isso ao mesmo tempo. Por isso, com o mesmo desejo, lhes peço: Vivam intensamente até tal hora chegar, e quando ela chegar, explodam como fogos de artifício.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
A canção é você
O que seria de mim sem minhas melodias azuis e flamejantes? Ou sem seus gritos e gemidos borbulhantes. Guitarras e gaitas harmoniosas explodindo meu cérebro que clama e clama. Eu sempre precisei deles. Ninguém vai tirar isso de mim.
Meu deus é como um ás de espadas. Negro como a noite que envolve todo e cada vagabundo em seu leito férreo.
Os saxofones estouram como bombas de hidrogênio invisíveis e sempre vão manter seu cérebro ligado e atordoado. E seus olhos injetados explodindo como fogos de artifício. E tudo isso para todo sempre, e sempre... Daí entra o trompete mais suave te dilacerando aos poucos te fazendo viciar como o primeiro pico doloroso. O piano pulando entre suas orelhas entrando e saindo pelos seus olhos brilhantes e jovens. Saltando entre tudo e nada como uma bailarina dos tempos. Pam na nan nammmm. E a bateria lá... "Éééé...." A voz do músico. Curtindo aquilo tudo numa decrescente insana até chegar num glorioso e calmo louco gemido de "ééé...." e por aí vai. Ou então o guitarrista cantando seu próprio solo. Dizendo ao mesmo tempo o que seu membro retrátil feito de cordas diz geme e explosivamente clama. E as cordas do vocalista também vibram e todo instrumento vibra com ele.
Merda, como tudo isso é sensacional. Se você não sabe o que é isso, definitivamente você esqueceu o que as ondas dentro do ventre em que nasceu te diziam.
Meu deus é como um ás de espadas. Negro como a noite que envolve todo e cada vagabundo em seu leito férreo.
Os saxofones estouram como bombas de hidrogênio invisíveis e sempre vão manter seu cérebro ligado e atordoado. E seus olhos injetados explodindo como fogos de artifício. E tudo isso para todo sempre, e sempre... Daí entra o trompete mais suave te dilacerando aos poucos te fazendo viciar como o primeiro pico doloroso. O piano pulando entre suas orelhas entrando e saindo pelos seus olhos brilhantes e jovens. Saltando entre tudo e nada como uma bailarina dos tempos. Pam na nan nammmm. E a bateria lá... "Éééé...." A voz do músico. Curtindo aquilo tudo numa decrescente insana até chegar num glorioso e calmo louco gemido de "ééé...." e por aí vai. Ou então o guitarrista cantando seu próprio solo. Dizendo ao mesmo tempo o que seu membro retrátil feito de cordas diz geme e explosivamente clama. E as cordas do vocalista também vibram e todo instrumento vibra com ele.
Merda, como tudo isso é sensacional. Se você não sabe o que é isso, definitivamente você esqueceu o que as ondas dentro do ventre em que nasceu te diziam.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Palavras a(o meu) Gerard
Gritos como de um carro derrapante.
Impossível descrever tal anseio delirante.
O uivo infantil errante.
As palavras no escuro escorregadio desconcertante.
Brilham imponentes.
Para os meus olhos jovens, como incríveis diamantes.
Suplicante.
Assustadoramente;
Meliante.
Um alento kerouquiano.
O oceano é o meu irmão.
Sim. O oceano da dor precoce.
Espasmos sem sentido.
Gritos sussurantes no seu corpo pequenino e assustado;
Latejante!
Seus olhos azuis medrosos, porém sempre atentos;
A qualquer instante.
Oh Deus, ajude-o desse descontrole mental.
Que tanto lhe aflige e que lhe coloca tão distante.
A emoção me toma conta quando o vejo dormir, feliz.
Sonhando ser um garoto saltitante.
Já estou incomodando bastante.
Não tenho mais nada a dizer ou acresentar.
Nesse meu poema blues ondulante.
Impossível descrever tal anseio delirante.
O uivo infantil errante.
As palavras no escuro escorregadio desconcertante.
Brilham imponentes.
Para os meus olhos jovens, como incríveis diamantes.
Suplicante.
Assustadoramente;
Meliante.
Um alento kerouquiano.
O oceano é o meu irmão.
Sim. O oceano da dor precoce.
Espasmos sem sentido.
Gritos sussurantes no seu corpo pequenino e assustado;
Latejante!
Seus olhos azuis medrosos, porém sempre atentos;
A qualquer instante.
Oh Deus, ajude-o desse descontrole mental.
Que tanto lhe aflige e que lhe coloca tão distante.
A emoção me toma conta quando o vejo dormir, feliz.
Sonhando ser um garoto saltitante.
Já estou incomodando bastante.
Não tenho mais nada a dizer ou acresentar.
Nesse meu poema blues ondulante.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Anotações de uma manhã nua e particular;
I
Da confusa e negra noite sempre nascerá uma profunda e limpa manhã.
II
O gato espreita o passarinho
Enquanto o louco anota seu caminho
O cão que rói o osso
O coração que SIM, tenho no torso
O calor que bate em minha nuca
Que de nada me machuca
(Que deus abençoe os animais, o osso ou até mesmo minha nuca!)
III
Anotações doidas
Cobrança da mente
O corpo são os olhos da mente
Que tudo vê e tudo sente
IV
O cão toma sol
Como se pedisse um lençol
O Sol responde
Com sua luz delirante
E um pobre coitado
Que estava ali
Somete a escrever
Virou uma sombra
Do lado do cão dançante.
Da confusa e negra noite sempre nascerá uma profunda e limpa manhã.
II
O gato espreita o passarinho
Enquanto o louco anota seu caminho
O cão que rói o osso
O coração que SIM, tenho no torso
O calor que bate em minha nuca
Que de nada me machuca
(Que deus abençoe os animais, o osso ou até mesmo minha nuca!)
III
Anotações doidas
Cobrança da mente
O corpo são os olhos da mente
Que tudo vê e tudo sente
IV
O cão toma sol
Como se pedisse um lençol
O Sol responde
Com sua luz delirante
E um pobre coitado
Que estava ali
Somete a escrever
Virou uma sombra
Do lado do cão dançante.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Dentro de um copo de café, corre um rio amargo
Dentro de um copo de café o jovem se vê enquanto pingos fartos, gordos, enorme feitos do sal da Terra e dos fluidos dos homens caem & levantam alto todo aquele líquido negro. O choque das matérias que obriga uma ou outra ceder mais espaço. Como bombas norte-americanas caindo sobre Hamburgo como mostra a revista sob a mesa. Chega de drama. “Engula essas lágrimas diluídas em café” ele pensa. “Engula seus problemas e faça seu papel de homem. Aja de acordo com as habilidades do intelecto que você nem mesmo pediu a Deus, mas que mesmo assim as possui e deve usá-las”.
Mas ele não consegue e caí dentro daquele café negro enlouquecido flamejante enfurecido. A corrente preta não lhe permite alcançar o outro lado do rio. A televisão alta trucida lhe os pensamentos e ecoa para fora de seus ouvidos. O café lhe afoga com seu vício sensual e tenta lhe expulsar fora do corpo o coração palpitante enquanto a noite que caí sobre sua alma lhe cega absurdamente. Do outro lado do rio fantástico louco feito de sangue, lágrimas, pessoas putrefatas moribundas boiando e café existe um espelho contrário, rachado, distorcido que reflete o que existe as costas do jovem que luta contra toda aquela corrente-insanidade do rio louco lisérgico. É sua família que berra, torce, lhe concebe coragem. Mas para ele, visto daquele prisma-espelho ondulante fora de controle só existe caos, dor, crítica, fúria, lixo. Sua família com punhais ensangüentados e vendas negras. Sua mãe segura nas mãos outro espelho que reflete sua imagem como uma barata. Tudo se distorce numa corrente enlouquecida fantasiosa lacrimosa explosiva!
Ele mergulha e ocupa mais espaço em toda matéria aquática sem sentido insana. Dentro daquela massa líquida licorosa espessa ele se transforma em um cadáver que suavemente silencia o inferno externo. Tudo parece belo, harmonioso, sensual. O silêncio sagrado e estranhamente apoteótico. Mas surgem, explodem; gritos. Esbravejam palavras sem sentido que em ressonância líquida aniquilam a paz antes maciça. Tudo é sonoramente explosivo. Um mar de cornetas, tubas e baterias feitas de TNT, sinos e gongos chineses que ondulantemente desmaterializam tudo aquilo.
E toda matéria, espaço, existência morre, desaparece numa grande queda livre. Fim da linha. O final dos tempos, espaços, espasmos, ejaculações e loucuras. Mas como um milagre religiosamente belo e intenso ou uma concessão telepática de Deus o jovem se torna um pequeno pássaro que escapa alçando vôo fora daquela infinita cachoeira do fim de tudo e nada e nada e tudo novamente. O número zero. E naquele vôo insano fantástico ele se livra de tudo. Passeando por um céu de notas improvisadamente musicais. Enxergando os quilômetros infinitos de distâncias inexistentes entre colunas greco-romanicamente formadas pelas montanhas verdes e vivas como monges zen-budistas a meditar com suas cabecinhas brancas nevadas e fervilhantes. E todos os pássaros, apenas um ou somente o céu azul em ebulição febril com suas nuvenzinhas imaculadamente brancas como os trilhos infinitos recém-desvirginados por trens são o jovem, que nesse exato momento descansa sobre as pedras, disforme, salpicado pela saliva da natureza e confortavelmente regido pela sonora e responsável melodia das águas.
Mas ele não consegue e caí dentro daquele café negro enlouquecido flamejante enfurecido. A corrente preta não lhe permite alcançar o outro lado do rio. A televisão alta trucida lhe os pensamentos e ecoa para fora de seus ouvidos. O café lhe afoga com seu vício sensual e tenta lhe expulsar fora do corpo o coração palpitante enquanto a noite que caí sobre sua alma lhe cega absurdamente. Do outro lado do rio fantástico louco feito de sangue, lágrimas, pessoas putrefatas moribundas boiando e café existe um espelho contrário, rachado, distorcido que reflete o que existe as costas do jovem que luta contra toda aquela corrente-insanidade do rio louco lisérgico. É sua família que berra, torce, lhe concebe coragem. Mas para ele, visto daquele prisma-espelho ondulante fora de controle só existe caos, dor, crítica, fúria, lixo. Sua família com punhais ensangüentados e vendas negras. Sua mãe segura nas mãos outro espelho que reflete sua imagem como uma barata. Tudo se distorce numa corrente enlouquecida fantasiosa lacrimosa explosiva!
Ele mergulha e ocupa mais espaço em toda matéria aquática sem sentido insana. Dentro daquela massa líquida licorosa espessa ele se transforma em um cadáver que suavemente silencia o inferno externo. Tudo parece belo, harmonioso, sensual. O silêncio sagrado e estranhamente apoteótico. Mas surgem, explodem; gritos. Esbravejam palavras sem sentido que em ressonância líquida aniquilam a paz antes maciça. Tudo é sonoramente explosivo. Um mar de cornetas, tubas e baterias feitas de TNT, sinos e gongos chineses que ondulantemente desmaterializam tudo aquilo.
E toda matéria, espaço, existência morre, desaparece numa grande queda livre. Fim da linha. O final dos tempos, espaços, espasmos, ejaculações e loucuras. Mas como um milagre religiosamente belo e intenso ou uma concessão telepática de Deus o jovem se torna um pequeno pássaro que escapa alçando vôo fora daquela infinita cachoeira do fim de tudo e nada e nada e tudo novamente. O número zero. E naquele vôo insano fantástico ele se livra de tudo. Passeando por um céu de notas improvisadamente musicais. Enxergando os quilômetros infinitos de distâncias inexistentes entre colunas greco-romanicamente formadas pelas montanhas verdes e vivas como monges zen-budistas a meditar com suas cabecinhas brancas nevadas e fervilhantes. E todos os pássaros, apenas um ou somente o céu azul em ebulição febril com suas nuvenzinhas imaculadamente brancas como os trilhos infinitos recém-desvirginados por trens são o jovem, que nesse exato momento descansa sobre as pedras, disforme, salpicado pela saliva da natureza e confortavelmente regido pela sonora e responsável melodia das águas.
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